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* * * Grilinha * * *

Aqui escrevo de tudo um pouco, principalmente, de tudo o que me vai na alma.

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O meu outro Blog - de Culinária
"A Cozinha da Grilinha"


.: Sexagenária e a Festa Surpresa :.

 

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Os 60 Anos já cá estão - “Sexagenária”

Este ano conseguiram surpreender-me 

Adorei cada segundo, cada palavra, cada gesto mas principalmente adorei que as pessoas que eu amo de coração se tenham reunido para me fazer esta surpresa.

- 60 Anos de vida com memórias agridoces, doces e muito doces.

- 60 Anos de vida em que aprendi a gostar de viver, mas principalmente a gostar de quem gosta de mim … A Minha Família e os meus Amigos

Obrigada Família e Amigos pelo Dia Maravilhoso que me proporcionaram 

 Fernanda Grilo (Grilinha)

.: Economiza nas sílabas, mas está uma tagarela!! :.

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A Diana começou a palrar bem cedo e a dizer por "meias palavras" o nome das coisas e a cantarolar a letra das músicas infantis.

Sabe contar até 10 e conhece os números todos, diz o “a e i o uuuu”  e conhece tb as letras.

Diz o nome das partes do corpo humano e aponta certinho (na mão, não esquece a “unha”), imita o som dos animais e sabe associar o som à imagem do animal, mas o seu fascínio é a música e a dança que seleciona no seu tablet ou nos telemóveis (MÓ - como ela diz) das duas avós.

Passa o dedinho nos ecrãs para um lado ou para o outro à procura do icon do "Youtube" e ali fica ela a seleccionar os seus vídeos preferidos até acabar a bateria do Mó, que vai logo direitinha ao carregador para ligar.

Há uma semana e pouco foi operada aos ouvidos para colocar os tubinhos (1º cirurgia geral com 23 Meses  ) a rapariga passou a ouvir melhor (digo eu!!) e está uma fala barato que ninguém a consegue parar.

 

Agora que aprendeu os nomes da família é uma alegria ouvi-la Pai Rui, Mãe Rosa, Tio Tó, Bebé Nana (Diana) ... pato Nana (sapato da Diana) caco Nana (Macaco da Diana) Zaco Nana (Casaco da Diana) Vor (Se Faz Favor) Gada (Obrigada) e assim por aí fora :) mas Pão, Água, Pápa, Uva, sempre disse perfeitamente

Não sei se é coincidência, mas desde a cirurgia já diz palavras seguidas com sentido de frase e nota-se que deve achar estranho ouvir o som de forma diferente, e então repete várias vezes o que lhe dizemos.

 

Um dos seus melhores episódios passou-se em Agosto durante o meu internamento.

- O telemóvel tocou e atendi a pensar que era a minha filha :) mas do outro lado estava uma vozinha doce a dizer:

- avó avó bla bla bla pai Rui bla bla bla .e ali estivemos alguns minutos (deu tempo para eu cantar com ela o “Finger Family” - Little finger where are you, here I am  lá lá lá …(as duas doentes que estavam a conversar comigo ficaram admiradas como ela com 20 Meses estava sozinha a ligar-me).”

Percebi que a rapariga tinha apanhado o TM da mãe a jeito, foi aos contactos e zás, viu a minha foto, e ligou.

Na cozinha o Pai e a Mãe ouviam-na a falar na sala e a dizer avó avó ..... quando chegaram ao corredor é que deram conta que ela estava a falar comigo e foi uma gritaria  para lhe tirar o TM da mão 

 

- Hoje falou comigo do TM da mãe e lá andava ela pela casa fora com o TM no ouvido a contar o que foi o jantar “rroz e chicha” blablabla ... o migo (amigo) blablabla …!!!??? .. dava gargalhadas e corria pela casa para não dar o TM ao Pai.

 ... no final da conversa ...

Avó – Vai dormir, até amanhã Diana, beijinhos 

Diana – Nhã …. (e desligou)

.: É uma Mãe chata? ... Não Fique chateada!! :.

Tudo o que uma mãe faz é para o bem dos seus filhos.

Determinar regras e obediência às mesmas, significará ter no futuro adolescentes e adultos bem-sucedidos, mais independentes e conscientes dos seus direitos e deveres.

Hoje podem reclamar e chamar-nos de "MÃE CHATA" mas "NÃO FIQUE CHATEADA" porque um dia eles vão agradecer-lhe.

Cá em casa a avó Alice Grilo dizia: - O trabalho do menino é pouco, mas quem não o aproveita é louco!! -

Com o seu jeitinho pedia à Ana Rosa e ao António para a ajudarem nas tarefas da casa. Hoje, já adultos, sabem fazer tudo e dão valor ao trabalho dos outros.

Esta sequência de regras, com texto e humor Brasileiro, podem dar uma ajuda a algumas mães ou mulheres de maridos que são filhos de "Mães-não-chatas" :(

 

Regra 1 

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Regra 2

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Regra 3

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Regra 4 

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Regra 5 

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Regra 6 

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.: Everiday is a Second Chance :.

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1990 - Aos 32 anos e após alguns exames médicos foi-me diagnosticada uma "Endometriose severa" ….

- Hummm, sabia lá eu o que era uma endometriose!! Só quis saber se tinha tratamento e qual? (cirurgia urgente)

Na consulta, a Ginecologista não me explicou o que era nem as consequências que poderiam advir desta doença. Infertilidade é uma das mais frequentes, mas essa eu já tinha superado com sucesso, pois engravidei 2 vezes (Com 23 anos tive a Ana Rosa e aos 25 anos tive o Tó).

A cirurgia “histerectomia com anexectomia bilateral” correu +/- bem (3 horas - cirurgia demorada porque as aderências já se tinham espalhado para o intestino).

Também aqui, na Maternidade Alfredo da Costa, ninguém me explicou o que se passou na cirurgia e eu pensei que tinha acabado o sofrimento desde os 13 anos de idade e que de agora em diante, mesmo numa menopausa precoce, o que me interessava era não ter dores.

Nos 8 anos que se seguiram, a vida correu-me às mil maravilhas; saúde, curso superior a bom ritmo, carreira profissional no auge, filhos e restante família com saúde e sucesso e eis que … chega o Dia de Reis de 1998.

06-01-1998 (Foi há 18 anos)

Foi há 18 anos, numa tarde do Dia de Reis, que me saiu a fava no "Bolo Rei da Vida" e iniciei a batalha contra as sequelas da Endometriose e a descoberta (uns anos depois) de que tinha Doença de Crohn, (nunca tinha ouvido falar neste “malfadado Crohn"!!!

Um internamento de quase 1 ano deu-me muita informação e formação para regressar de novo à vida, com uma ileostomia (sem intestino delgado) para cuidar diariamente e com uma lista enorme de fragilidades/consequências que esta incapacidade me provocaria, caso nesse ano sobrevivesse às 3 cirurgias, a uma dúzia de recaídas e ainda a uma septicémia. – deixei-as todas no passado. O que lá vai, lá vai  :( 

Tive e continuo a ter a sorte de ter uma família e amigos que nunca me deixaram ir abaixo psicologicamente, e ao mesmo tempo cruzaram-se no meu caminho; médicos, enfermeiros, auxiliares e delegados de informação médica que foram e continuam a ser o pilar, para que eu tenha uma melhor qualidade de vida, ao mesmo tempo que convivo com uma doença crónica e um sistema imunitário completamente debilitado.

Obrigada a todas as pessoas que têm feito parte, mais ou menos próxima, da minha vida e aos que continuam aqui ao meu lado e me ajudam a seguir em frente e pensar que: - Amanhã virá um dia melhor.

Parabéns a mim, pelos 18 anos, nesta 2ª oportunidade de viver.

Fernanda Grilo (Grilinha)

06/01/2015

.: As etapas/crises da Vida :.

 

 

Envelhecer é inevitável e faz parte do crescimento natural e contínuo da vida.

Neste processo evolutivo acontecem momentos de abrandamento aos quais lhes chamamos “etapas/crises”.

Ao longo da vida as “etapas/crises”, pequenas ou grandes, traumáticas ou naturais, sucedem-se e encaixam-se num crescente de aprendizagem e saber.

 

Crise da puberdade – se tive nem me lembro!!

Crise da adolescência – lembro-me que dei algumas (bastantes) dores de cabeça à minha mãe

Crise dos 20 – nem sei se a tive porque foi a melhor fase da minha vida (casamento e filhos)

Crise dos 30 – uhmmm ...... bem ..... ..... nem sei por onde começar, pois … … só me lembro que a cada dia que passava achava que o Mundo ia ser meu (família, curso e carreira de vento em popa).

Crise dos 40 – esta chegou aos 20 dias depois dos 40 (6/1/1998) tipo, bomba atómica!!

Crise dos 50 – saltou definitivamente para a crise dos 70 (sofá, robe, pantufas, internet, chá e bolachas)

Segundo dizem os entendidos, saltei a “etapa/crise” da meia-idade (40-60), a fase da consciência do próprio envelhecimento e da existência de limites da vida.

 

Já realizei muitos dos meus sonhos (família, filhos, carreira).

Os meus pais já se foram e os filhos já trilham pelo seu próprio pé os caminhos da independência.

Deparo-me agora com o factor tempo ou falta dele.

- “ter tempo para isto ou para aquilo”

A minha relação com o “tempo” não está a ser nada fácil e os cabelos brancos, as rugas e a frágil condição física são a prova disso.

Será sempre uma incógnita saber quando atingimos a “meia-idade”

- Quem é que sabe onde fica o meio-da-idade??

- Os 56 anos chegaram hoje e o futuro a Deus pertence.

Deixei de dizer:

- Amanhã eu vou ou Depois de Amanhã eu faço.

Passei a dizer:

- Hoje não consigo, talvez amanhã lá vá .... (mas sempre acreditando que chego lá - ao amanhã)

 

Obrigada família, amigos reais e net_amigos, por me fazerem companhia ao longo destes anos, pela paciência e apoio que me dão.

Grilinha (16/12/2013)

.: Às voltas, com as voltas da vida :.

Esta noite (mais uma noitada sem dormir) dei por mim a pensar nas voltas que tenho dado à minha vida e cheguei à conclusão de que os anos 20, 30, 40, 45, 50, 55 foram aqueles em que fiz mais mudanças e constato que está a encurtar a distância entre elas.

Aos 20 "O Casamento" (23 e 25 o nascimento da rapaziada).

Aos 30 mudança de emprego e deixar a anterior área de estudo - Letras - "Línguas e Literaturas Modernas Francês, Inglês e Alemão" para ingressar na área de Economia (voltar ao 10º ano para fazer Matemática, Geografia e História porque o resto tinha equivalência)

Aos 33 ingressar na Universidade acabada de inaugurar as novas instalações a 50 metros do trabalho. O curso de Gestão de Empresas (5 anos) corria a um ritmo calmo e com um grupo de amigos e colegas fantástico (Rui, Ramalho, João Torres, Zé Lourenço, João Milheiro)

Aos 40 preparava a festa de formatura, o "Canudo de Drª" à vista, a carreira profissional ia de vento em popa. Tinha uma equipa de colaboradores magnifica (ZéZé, Filé, João, Susana I, Susana II e muitos mais que por lá passaram e estagiaram), a rapaziada crescia a olhos vistos (16 e 14 anos) e enchiam-me o coração de alegrias e mimos todos os dias.

No dia 6 de Janeiro de 1998 já não participei na festa do Dia de Reis da secção e ao entrar de urgência no Hosp dos Capuchos só viria a sair de lá 7 Meses depois. Com metade do peso (32 Kgs) e uma incapacidade para o resto da vida levantei a cabeça e decidi que tinha de lutar e seguir em frente. A vida estava do avesso e em fanicos mas com uma família a apoiar com 4 fortes pilares (engº, mãe, filha e filho).

A enorme incapacidade física, o encerramento da Empresa onde trabalhava (2002), a reforma por invalidez não planeada, o último ano do curso incompleto e sem objectivos de aplicação, ... ... ... O grupo de amigos, esse, continuava presente, e hoje cá estão a toda a hora a fazer-me companhia e recordar os bons momentos que passámos e crescemos juntos, com os livros e cadernos às costas depois de um dia de trabalho, as cábulas de rolinho infalíveis do Rui, a técnica de consulta do João Torres, a minha técnica do auricular, a técnica do Ramalho em ripar as folhas de teste do colega da frente ou de trás, o Zé Lourenço e o João Milheiro eram mais discretos e esperavam por algo que lhes caísse de pára-quedas na secretária.

Estas fotos tiradas na saudosa Feira Popular de Lisboa onde íamos, todos os anos festejar o final do ano lectivo da Faculdade, fez-me sorrir e voltar a esses tempos.

Aos 45 perdi a D. Grila que decidiu ir para junto do Sr. Grilo e deixou-nos a todos, cá em casa, com um vazio muito grande e a fazer-me muita falta a mim.

A bater à porta dos 50 chega a confirmação do Crohn e traz associada uma lista crescente de incapacidades que me corrói a cada dia.

Com os 55 à vista passo ao estado efectivo de "Sogra" e ganho um genro (já merecia um momento de enorme felicidade), mas algum tempo depois o meu rapaz levanta voo, pega nas malas e muda-se para o País das Tulipas - Lá se foi metade do meu coração que na hora da despedida me disse: "- Mãe, cuida-te que eu estou cá pelo Natal" :(

A cada Natal acrescento 1 ano à vida e à esperança de ter cá o rapaz, por breves dias, no meu colo. (faltam 26 dias)

Diz o ditado que "Recordar é Viver" e eu faço por isso, continuando a recordar os bons momentos do passado para ver se chego aos 60 e quem sabe, mais uma reviravolta.
Às voltas, com as voltas da vida!!!

.: Geração à rasca - A nossa culpa :.

Ontem à noite enquanto o rapaz montava a minha cadeira nova de secretária (ofereceu-me uma cadeira nova para que tenha mais conforto), o tema da nossa conversa foi o do texto que se segue;

 

Falámos da minha geração de pais que usou e abusou do dinheiro e facilidades para que os filhos não passassem dificuldades como as deles (os meus filhos conhecem a realidade da infância e juventude do Pai) mas acabaram por lhes esconder as agrúras da vida.

 

Fico feliz pelos meus filhos terem sido educados com conforto e sem dificuldades mas sempre com limites e conhecedores de que nada se consegue sem esforço/trabalho.

 

Texto recebido por email e que já vi publicado em vários blogs - (desconheço o autor que por certo é da minha geração ou andou comigo na escola)

 

 

Um dia, isto tinha de acontecer.

Existe uma geração à rasca?

Existe mais do que uma! Certamente!

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.

Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.

A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.

Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

 

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.

Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

 

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

 

Foi então que os pais ficaram à rasca.

Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.

Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.

São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

 

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

 

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

 

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.

Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.

Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.

Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.

Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

 

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?

Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!

 

Os jovens que detêm estas capacidades-caracteristicas, não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

 

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

 

Novos e velhos, todos estamos à rasca.

Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.

Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.

A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.

Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.

Pode ser que nada/ninguém seja assim.

.: Mãe Galinha? Eu?? (dizem que sim) :.

Toda a vida me têm dito que sou demasiado protectora e preocupada com os meus filhos.

- És uma Mãe-Galinha. Deixa-os voar sozinhos.

 

É verdade que nunca fiquei descansada quando eles íam em passeios longos ou férias pelo Colégio.

 

É verdade que nunca deixei os meus filhos sozinhos à beira-mar ou então eu estava bem perto que os pudesse sempre ter debaixo de olho.

 

É verdade que na adolescência os deixava ir às discotecas mas ia lá buscá-los (algumas vezes entrava e ainda aproveitava para dar um pezinho de dança)

 

É verdade que ainda hoje gosto de saber se estão bem e as trocas de sms são diárias.

 

É verdade que hoje em dia eles são mais filhos-galinha porque não me posso demorar 10 minutos e já estão todos a ligar para o telemóvel:

- Onde é que andas? Estás bem? bla  bla bla

 

Se ser Mãe-Galinha é ter o carinho e companhia daqueles que mais amo na vida, então que seja e com muita honra.

 

Hoje comemora-se mais umm Dia da Mãe e como habitual fomos almoçar e dar um passeio até à Ericeira.

Durante o almoço fui surpreendida com um presente:

- Confirma-se que sou mesmo Mãe-Galinha

 

.: Natal 2009 :.

Este ano a noite da consoada foi diferente do habitual.

 

O genro e a filha fizeram o convite e lá fomos nós com os compadres passar o Natal a casa deles.

 

A família cresce, reformula-se e as mudanças de hábitos são inevitáveis.

 

Nos últimos anos o Natal era passado apenas a 4 e por vezes fora da data porque os meus internamentos alteravam os planos ao calendário.

 

Mesmo assim os filhos faziam a festa e comandavam a operação de distribuição de presentes quer fosse dia 24 ou 27 de Dezembro.

 

As comadres trataram da ementa e os anfitriões prepararam a casa para receber as famílias.

A minha comadre é uma excelente cozinheira e preparou umas entradas, um bacalhau com todos e um bacalhau com natas .... 5 estrelas.

 

Depois do jantar foi hora de reunir todos no sofá a assistir a fotos das viagens da Ana pelo Mundo e ainda a um pequeno filme de animação até chegar a hora da distribuição dos presentes.

À anfitriã coube a tarefa da distribuição dos mesmos e foi uma sequência de emoções e boa disposição que nem demos pelo passar das horas.

Já madrugada dentro foi hora de regressar às nossas casas com o coração cheio de amor e muita emoção.