O meu outro Blog - de Culinária
"A Cozinha da Grilinha"


25
Abr 14

 

Há 40 anos (com 16 anos e no último ano do Curso Comercial) o dia começou como qualquer outra 5ª feira, com aulas numa Primavera cheia de Sol e céu Azul.
Às 7:30 a habitual corrida para apanhar o último carro operário no Poço do Bispo (eléctrico com bilhetes até às 7:30 de ida e volta pelo preço de uma única viagem)
Às 8:00 a 1ª aula do dia correu normalmente mas no intervalo já se ouviam rumores nos corredores e um toque mais prolongado indicava reunião nas marquises, das raparigas e dos rapazes, para ouvir alguma informação.
Mandaram-nos para casa e nada mais nos foi dito nem ninguém se atrevia a fazer qualquer pergunta naquela época.
Alguns já sabiam que algo se passava na Praça do Comércio (estávamos na Patrício Prazeres ali junto a Sta Apolónia).
Segui para casa a pé com algumas colegas e reparei nos operários, de Xabregas ao Poço do Bispo, que estavam junto à porta das fábricas em grupos a conversar.
O meu pai apareceu a meio caminho na sua "Vespa" e de olhos azuis a brilhar e sorridente, mandou-me subir e recomendou às minhas colegas que fossem para casa.
O resto do dia foi passado no pátio com toda a vizinhança a comentar a escassa informação que ia chegando de um vizinho que trabalhava na Assembleia e a ouvir os comunicados pelo rádio.
Desse dia em diante todos os anos este dia e o 1º de Maio eram comemorados com a família na Praça do Comércio e participando nas manifestações de luta e comemoração de direitos e liberdades (liberdade de expressão, direito à saúde, ao ensino superior, às melhores condições de trabalho e igualdade de salário, etc etc.)
Hoje vejo os jovens a lutar por estes direitos apesar de carregados de normas globais sobre Direitos Humanos e Liberdades Fundamentais que ninguém respeita.
Apesar do avanço da ciência e carregados de tecnologia assistimos à crescente globalização financeira e dos mercados que têm provocado instabilidade, desemprego e exclusão social.
O 25 de Abril de 1974 derrubou o regime do Estado Novo que nos mergulhou em 40 anos de ditadura e deu lugar a um regime democrático e a uma nova constituição desde 1976. Gritava-se a expressão "O povo unido jamais será vencido" que hoje continua a ser um grito à democracia e à esperança de uma vida melhor.
- Está na hora de voltar a fazer História!!!

* * Grilinha * * às 17:05
estou:

Era mais nova, mas recordo-me bem. Na altura não sabia o que estava a acontecer, apenas sabia através de algumas conversas dos meus pais e tio e do nervoso deles que algo estaria acontecer.
Não me recordo do que era viver antes nem nunca passei privações ou tive falta de liberdade, mas por o que oiço os meus pais contarem digo "viva o 25 de Abril".
marrocoseodestino a 23 de Setembro de 2016 às 15:21

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Fernanda Grilo
(Grilinha)
16/12/1957
Lisboa-Portugal
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