.: Quem parte leva saudades, quem fica saudades tem ... :.
grilinha, 18.11.05
Lúcia nasceu na aldeia e ainda jovem veio para a cidade grande á procura de melhor qualidade de vida.Moça alta, loira de olhos azuis e pele branca chamava a atenção de quantos por ela passavam na rua.
Arranjou emprego numa casa de Drs e só de lá saiu, no dia do seu casamento.
Lúcia aspirava a ter uma vida melhor e com jeito para o negócio decidiu montar uma "banca de bolos" junto á estação fluvial da Praça do Comércio.
Durante mais de 20 anos por ali passaram milhares e milhares de pessoas entre uma margem e outra do Tejo, que todos os dias a cumprimentavam e lhe compravam um bolo ou umas peças de fruta.
Lúcia trabalhava todo o ano, tirando apenas uns dias de férias em Agosto para acompanhar a família (marido, filha, irmãos, cunhados, sobrinhos) na festa da sua aldeia.
A extinção abrupta daquele local de venda ambulante foi um choque demasiado forte para o "aneurisma" que a acompanhava em silêncio.
Há 11 anos que Lúcia lutava para se manter viva.
Hoje vai a enterrar e com saudades desejo que a minha tia Lúcia descanse em Paz.
