O meu outro Blog - de Culinária
"A Cozinha da Grilinha"


17
Fev 07

Dizem alguns amigos meus que tenho mau feitio, mas eu não me incomodo nada com isso e .... seja defeito ou “mau” feitio, já não vou mudar.

Mais um episódio nas urgências do Hospital de S. José.

 

Ontem (6ª feira), levantei-me com muitas dores na coluna (já ando assim há 2 meses) e ao abrir o armário dos medicamentos dei de caras com um analgésico/antipirético para tomar em SOS.

Em SOS ando eu sempre, mas desta vez não resisti e tomei 1 cápsula “Lyrac 150”.

Bebi o chá e comi uma fatia de pão torrado.

Meia hora depois começaram as tonturas, visão turva e nauseas.

Lá me fui arrastando entre a cama e o sofá mas a situação piorava a cada momento.

Ás 14 horas já não me aguentava de pé e lá fui amparada pelo meu filho até á cama onde caí quase inanimada.


Filho ao telefone – Boa tarde, a minha mãe está........ blá blá blá

112 – blá blá blá vamos já enviar uma ambulância

Uns minutos depois chegam os bombeiros que ao fazer os testes e perguntas da praxe, seguem rumo a S. José.


Tinóni Tinóni

15:13 – Chegada ao H. S. José o bombeiro faz a informação na triagem e numa das informações diz:

- A Sr.ª tem isto, isto, isto ....... e uma ileostomia há 9 anos.

- A médica – Que palavrão é esse?

O Bombeiro indignado com a questão da médica estagiária, responde-lhe:

- A Srª não tem intestino e usa um saquinho Sr.ª Dr.ª. Não sabe o que é?

Volta para junto de mim e diz-me:

- Você fica bem entregue, a médica não sabe o que é uma ileostomia!

 

Entrada imediata para o balcão de urgências.

Um primperan para pararem os vómitos e um Diazepam (relaxante muscular).

O médico não gosta muito dos sintomas e diz:


- A princípio achei que fosse um AVC ou alguma perturbação a nível do sistema nervoso central.

Vai a Otorrino para despiste, vai fazer um ECG e análises.


Alguns minutos passados e mantendo a dificuldade em articular palavras, as mãos geladas com os dedos dobrados e os pés gelados, pedem-me para passar para um cadeirão pois a maca faz falta para outro doente.

A cambalear e apoiada na auxiliar lá me arrastei até a um cadeirão onde me colocaram um cobertor a apoiar a cabeça e outro sobre as pernas para não arrefecer (gelada já eu estava).


Mais alguns minutos passados vem outra auxiliar pegar-me pelo braço.

- Não há cadeiras de rodas, faça lá um esforço para se equilibrar que vamos ao Otorrino.

Tombo para cá, pancada para lá, mão na parede, braço apoiado na auxiliar, lá chegámos ao outro lado do corredor.

- Estamos a ver um doente leve a senhora de volta que já a chamamos daqui a 15 minutos.

Percurso inverso, 30 minutos de espera.
Voltamos lá e estavam a conversar pois nitidamente tinham-se esquecido de me chamar.


No Otorrino fazem-se os testes do costume e acontecem os desequilíbrios uns atrás dos outros.

Depois de alguma explicação chegamos á fibromialgia que tenho há 4 anos.

“Vertigens, dores agudas, cansaço permanente, visão turva, zumbido nos ouvidos” ... não há dúvidas que é uma crise de fibromialgia em estado avançado.

- Tome este comprimido que não lhe vai resolver o problema mas tb não lhe fará mal nenhum.

 

De volta ao balcão já o cadeirão estava ocupado. Sento-me por breves instantes numa cadeira.

 

- Vá fazer um electrocardiograma e estas análises lá ao fundo do corredor.

- Sim, eu sei onde é mas não consigo lá chegar pelo meu pé.

- Vá aqui encostada a esta parede que lá ao fundo tem uns bancos.

 

A parede foi o meu amparo e lá cheguei á porta da analista (7 pessoas em pé á espera), voltei-me para a porta do ECG (tontura)... várias mãos dão apoio e lá se equilibra o esqueleto.

 

Deitada uns breves minutos para o ECG, foram óptimos para recuperar algum equilíbrio.

A braçadeira do pulso não faz contacto e há necessidade de a subir quase até ao cotovelo (A Sr.ª é muito magra)....... são 45kgs para 1,72m.

De volta ás análises, aguardar em pé alguns minutos numa zona de corrente de ar (quem lá vai sabe do que estou a falar).

Foi rápido tirar sangue.

- Aguarde +/- 2 horas pelo resultado.

 

De volta ao corredor frio e em corrente de ar, cheio de gente em pé e outras tantas sentadas nos poucos bancos disponíveis, lá se levanta um senhor, depois da enfermeira solicitar que os acompanhantes se levantassem para dar lugar aos doentes.

 

A sala do bar costuma ter ar condicionado e lá fui sentar-me numa cadeira do bar a beber um chá quentinho a fazer tempo para voltar ao balcão e saber o resultado dos exames.

 

2 Horas depois (19,30) as análises já lá estavam mas tinha que aguardar pois estavam a observar outros doentes.

Entretanto o Eng.º chega e faz alguma companhia.

 

Esperei... esperei... esperei... pedi... voltei a pedir... (60 minutos depois).

 

- Electrocardiograma (ligeira arritmia), análises (ligeira anemia, magnésio, potássio, cálcio, ferro... baixinhos), tem que engordar.

Vá ao seu médico de família para a enviar a neurologia e controle a fibromialgia com o seu reumatologista.

Boa noite e as melhoras.

- Obrigada (ainda agradeci! Estava mesmo doente !!)


Atravessar o H. S. José de ponta a ponta, debaixo de chuva, porque não foi permitido o Eng.º entrar com o carro que ficou estacionado nas imediações.

 

21:00 Horas – Chegar a casa, fazer um chá, estender roupa, arrumar a cozinha do jantar da família, beber o chá, deitar e dormir até de manhã.

 

O dia de hoje foi mais calmo mas ainda penoso.

 

Assim vai o SNS neste país á beira-mar plantado.

 

Nota: O H. S. José está em obras na antiga zona de urgências e SO há mais de 6 meses.

O atendimento é feito num corredor adaptado com painéis e cortinados (zona dos claustros) que tem recebido alguns melhoramentos de condições de atendimento mas que está, como vos descrevi.

 

Se eu tivesse o tal “mau feitio” que disse no início não teria vindo para casa sem reclamar por escrito, os lamentáveis episódios por que passei ontem naquele Hospital.

Quem me conhece sabe que não foi a 1ª vez que passei por situações caricatas em S. José, mas tb diga-se a bem da verdade que é num Hospital Civil que me têm salvo a vida, (Stº António dos Capuchos), onde o atendimento é melhor, mas mesmo assim, longe de ser o desejável.

 

Até um dia destes que pelos vistos a saúde vai continuar ausente aqui por estes lados!!

 

Grilinha

* * Grilinha * * às 09:42
estou: indignada
tags:

Infelizmente é o SNS que temos, também neste ramo estamos (vergonhosamente) mesmo na ponta do rabo da europa. Nem S. José, Santa Maria ou S. Francisco nos valem, pode ser que num futuro próximo (2020???!!!), com o novo hospital Todos os Santos, que vão construir, todos juntos nos prestem um melhor serviço. Amiga Grilinha, desejo que tenhas muitas paciência força anímica e um bom restabelecimento. Bjs João Melo
João a 22 de Fevereiro de 2007 às 15:50

Em 2020 já cá não estou para ver o Hospital que vai ficar aqui mesmo á minha porta.
Como Santos de casa não fazem milagres ..... fico com o pé atrás que um hospital consiga dar resposta a tantos utentes, já que querem encerrar várias urgências no centro de Lisboa.
Um beijinho
* * Grilinha * * a 24 de Fevereiro de 2007 às 00:52

Infelizmente a nossa saúde cada vez está pior, tanto faz em S.José como Hospital do Alto Minho Viana do Castelo, é tudo o mesmo....mal de nós!
cindamoledo a 22 de Fevereiro de 2007 às 16:05

Grande verdade "mal de nós".
Quem precisa é que sofre e tem que aguentar.
Um beijinho
* * Grilinha * * a 24 de Fevereiro de 2007 às 00:52

Infelizmente, segundo ouço, é assim. A minha última experiência, de que o Quico falou por aqui, e outras anteriores, não me fazem fazer um juízo tão mau como o que tu fazes, mas pela amostragem de todos aqueles com quem me relaciono e em quem confio sou levado a acreditar que a vida dos portugueses está cada vez pior em tudo quando já não era sem tempo que melhorasse um pouco. Mas à nossa frente o nevoeiro está cada vez mais escuro e a luz de que o outro falava ao fundo do túnel, está muito longe de nos dar um sinal da sua existência. Só tretas e palhaçadas!
Mas deixo-te uns lírios para te imaginares entre eles. Bjs.
Ventor a 23 de Fevereiro de 2007 às 00:18

Olá ventor.
Já fui espreitar os lírios do campo.
Eu tb tenho boas recordações dos hospitais civis pois foi lá que me salvaram a vida por diversas vezes.
Estes lamentáveis episódios acontecem frequentemente nas urgências onde a atenção deveria ser redobrada.
Em Outubro estive 5 horas no mesmo espaço (S. José) a aguardar transferência para os Capuchos.
Por diversas vezes, pedi aos médicos para me fazerem o processo de transferência pois a minha médica estava á minha espera no serviço dos Capuchos.
um dos médicos acabou por telefonar para o H Capuchos e confirmou o que eu lhe estava a dizer há horas.
Mesmo assim levou mais 1 hora para aparecer um bombeiro de papel na mão a ler os nomes das macas.
Estava sentada numa cadeira e desconfiei que andava á minha procura.
Dirigi-me a ele e perguntei qual o nome que procurava.
Era o meu ... obvio.
Fui logo com ele para a ambulância de transporte de doentes entre hospitais e acredita que ninguém perguntou onde é que eu ía.
O bombeiro acabou por me dizer que já era a 2ª vez que ía á minha procura e ninguém lhe sabia dizer onde é que eu estava, por isso decidiu andar a ler os nomes das macas todas.
Nestes 9 anos tenho muitos episódios idênticos a este.
Pergunto sempre o que me vão dar e para que é.
Felizmente que há 1 ano recusei beber um laxante.
O enfermeiro foi chamar o médico por eu recusar a bebida.
Junto com esse médico vinha outro colega (cirurgião) que me conhecia dos Capuchos e disse logo para não beber pois não tenho intestino delgado e isso daria uma complicação maior do que aquela que já tinha.
O outro médico virou costas e o que me conhecia transferiu-me logo para os Capuchos.
O enfermeiro veio ter comigo e disse:
- A sua sorte é conhecer a doença que tem e estar atenta e informada.
Um beijinho e obrigada pelos lírios azuis.

* * Grilinha * * a 24 de Fevereiro de 2007 às 01:09

Puxa, Grilinha, estou sem palavras...
Que raiva pela impotência que temos para mandar aquilo tudo á... á...
Espero que estejas melhor e ... olha... um dia de cada vez...
mil bjinhos
ki
KI a 25 de Fevereiro de 2007 às 20:24

Olá Ki.
Eu bem os mandei á .. á .. mas de nada serviu.
Um beijinho e aparece mais vezes.
Dá noticias tuas que andas desaparecida há kanos.
* * Grilinha * * a 26 de Fevereiro de 2007 às 20:22

Tétrico! De terror...
padeiradealjubarrota a 26 de Fevereiro de 2007 às 17:43

É isso mesmo padeira.
Assim vai a falta de saúde e de respeito pelo cidadão comum.
Obrigada pela visita e comentário.
Aparece sempre
* * Grilinha * * a 26 de Fevereiro de 2007 às 20:44


Fernanda Grilo
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