O meu outro Blog - de Culinária
"A Cozinha da Grilinha"


10
Fev 09

"algumas palavras que nos são ditas ferem-nos lentamente, a falta delas, certas vezes, mata-nos de uma só vez"

 

O título deste post refere-se a uma das frases que repeti vezes sem conta ao longo da minha vida profissional.


A Tabaqueira tinha uma cultura de Empresa bastante futurista para a época e por isso mesmo aprendi a ser organizada (até demais) no meu trabalho e dividir conhecimentos com os colegas da secção.


Já na Electroliber as coisas não eram assim.

Por ser uma empresa familiar e com o patrão á frente dos comandos, os trabalhadores mais antigos e com menos formação académica receavam que os mais novos lhes tirassem o lugar.

Por vezes tinha que os obrigar a ir para casa descansar uns dias pois achavam que sem eles a Empresa parava.

Lá lhes dava uma longa conversa e no final vinha a frase:

- Ninguém é imprescindível e a vida que temos é só uma


Mal sabia eu que me viria a acontecer  ter que me afastar das minhas funções durante um lonnnngo período (3 anos).

Valeu-lhes (aos meus colaboradores directos - Zé, João, Mena, Suzana1 e Suzana2) a formação que lhes dei ao longo dos anos para que me substituíssem nalguma eventualidade.

Cumpriram na perfeição todos os procedimentos inerentes aos Recursos Humanos de uma Empresa com 1200 trabalhadores de 1998 a 2001.


Esta conversa toda é para dizer que só mais tarde percebi o sentimento de "balde de água fria" que aqueles trabalhadores mais antigos sentiam ao ouvir que "ninguém é imprescindível".

Davam uma vida de esforço e dedicação à Empresa (vestiam a camisola - como eles diziam) e de um dia para o outro sentiam-se sem préstimo.


Hoje percebo que não é só na vida profissional que não somos imprescindíveis mas também na vida social e familiar.


Ontem à noite na sequência de uma conversa a dois na hora do chá e das torradas, recebi uns cubos de gelo pela "espinha" abaixo:

- bla bla bla ..... quando um dia isso acontecer sinto que não me vai custar pois já estou preparado!.


Volta e meia o rapaz tem umas saídas que me abanam a "psico" violentamente


Sei que não sou imprescindível

Sei que o tempo é a cura para a saudade

Sei que um dia chegará a minha hora de ir teclar com o S. Pedro


O que vale é que o dia de hoje esteve cheio de sol e com mais algumas novidades agradáveis que contarei noutro post


Grilinha

* * Grilinha * * às 17:13
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Fernanda Grilo
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