O meu outro Blog - de Culinária
"A Cozinha da Grilinha"


29
Abr 04
Em tempo de remédios falsificados e laboratórios incompetentes, vale a pena lembrar deste consumidor compulsivo que faz da bula Bíblia: o hipocondríaco. Ele padece do mal de ter a mania das doenças e adora tomar remédios. Ao passar à porta da farmácia não resiste e pergunta: "O que tem de novidade?
"Nada mais ofensivo ao hipocondríaco do que erguer um brinde e desejar-lhe "saúde!". Ele só frequenta coquetel de vitaminas. Encara sempre o interlocutor com aquele olhar de quem diz: "ando sentindo coisas que você nem imagina". No telefone, faz voz de vítima. Cara a cara, suplica, silente, a compaixão alheia.
Está sempre entrando ou saindo de uma gripe; já tomou todas as vacinas; sofre da coluna; padece de insónia; e trata o médico como faz com motorista de táxi: "Tá livre?"
O hipocondríaco entra na Justiça exigindo mandado de prisão contra os radicais livres e duvida que alguém possa imaginar o tamanho da enxaqueca que teve ontem. Enquanto outros fazem compras, o prazer do hipocondríaco é visitar drogarias de vitaminas importadas. Ingere pela manhã o abecedário em drageas e nunca se deita sem antes tomar um chá de ervas.
Hipocondríaco não tem plano de saúde; prefere cota de cemitério. Gosta de se separar da família para morrer de saudades. E fica doente de raiva quando alguém diz que ele aparenta boa saúde.
O autêntico hipocondríaco carrega sempre uma dorzinha de lado, uma unha encravada, uma afta na boca, uma irritação na garganta, uma dor na coluna e umas tonturas estranhas.
Para o hipocondríaco, esposa ideal é a que banca a enfermeira; cadeira confortável é a de rodas; e cama macia, a de hospital.
O hipocondríaco é a única pessoa que, pelo som, distingue sirene de ambulância da de viatura de polícia e de bombeiro.
O guru do hipocondríaco é Hipócrates, e a sua filosofia resume-se nesta questão metafísica: "Se a gente nasce deitado e morre deitado, por que não viver deitado?"
O hipocondríaco morre de medo da vida saudável. Está convencido de que a diferença entre o médico e ele é que o primeiro conhece a teoria e, o segundo, a prática. Nunca pergunte : "Vai bem?" É preferível: "Melhorou?"
O hipocondríaco só assina revistas médicas . Mas, ao contrário do que se pensa, o hipocondríaco não quer morrer — isto o curaria da sua loucura.
Nunca convide um hipocondríaco a matricular-se numa academia de ginástica. Ofereça-lhe um check-up. Os únicos exames que ele aceita fazer são os clínicos e adora ser reprovado. Se faz cooper, a perna dói; se pratica natação, fica resfriado; se flexiona o abdome , sente dor nas costas.
O hipocondríaco escuta o médico com a mesma atenção que o bêbado ouve os conselhos do abstémio. O grupo de amigos do hipocondríaco reúne-se á porta da farmácia e tira férias em clínicas de repouso.
O hipocondríaco é o único paciente que consegue decifrar letra de médico. Não se recolhe para dormir, mas sim para repousar. Nunca deseje "bom-dia" a um hipocondríaco; pergunte: "Levantou-se melhor?" Aliás, ele não se levanta; tem alta. No aniversário, dê-lhe um vidro de remédios. Todo o hipocondríaco é viciado em aspirina, vitamina C e melatonina.
O hipocondríaco sabe dar nó nas tripas e acredita que o melhor lazer é curtir uma diverticulite. Considera incompetente todo o médico que diz que ele não tem nada.
O hipocondríaco acredita em tudo que os mídia falam sobre cuidados com a saúde.
Quando viaja, não se hospeda; se interna. No bolso de dentro do casaco ele não usa caneta, mas sim termómetro. E é a única pessoa capaz de enxergar vírus e bactérias em talheres de restaurantes.
O sonho do hipocondríaco é ser socorrido por um daqueles helicópteros que aparecem na TV. E fica feliz porque tanto reclamou, pois já existia telesexo, telepiada, telepizza, telesorteio, só faltava o teledoença: você liga, descreve os sintomas e, do outro lado da linha, uma voz de médico prescreve a medicação.
Deve ter sido um hipocondríaco quem deu ao remédio que combate infecções o nome de antibiótico — que significa "contra a vida".
O hipocondríaco não tem remédio. Ele só se cura quando morre e, paradoxalmente, a morte é o sintoma mais óbvio de que ele tinha razão. Pena que não possa levantar-se do caixão e enfiar o dedo na cara de quem o tratava pejorativamente como hipocondríaco. De qualquer modo, repare como ele, defunto, traz um sorrisinho de vitória nos lábios.
(texto recebido por mail)
grilinha às 03:15
* * * Grilinha * * * em 30/09/2007 às 16:04

26
Abr 04
Hoje (26/4/2004) estou convocada pela 6ª vez em 2 anos para me apresentar no Centro de Emprego da minha área. Das outras vezes passei lá parte do dia a ouvir como se faz um Curriculum, uma carta de apresentação, a postura a ter nas entrevistas, etc etc. Quando chega a minha vez e me perguntam qual era a minha função, eu explico que fui “Responsável de Recursos Humanos” e que entrevistas, analisar CV, salários, avaliações de desempenho, formação etc etc foram as minhas funções ao longo de 26 anos de carreira.
A ultima vez que lá estive fiquei pasma ao constatar que os exemplos de CV e cartas que apresentam estão completamente desactualizados. A técnica desculpou-se esfarrapadamente por não ter um manual mais actualizado. Na sala estavam cerca de 20 pessoas entre os 35 e os 55 anos, licenciados ou com habilitações a nível do secundário e das mais diversas profissões.
Ao fim de meia hora a senhora optou por mandar sair os casos próximos da pré-reforma (55 anos) e os licenciados, porque não há formação disponível para estes casos e nem se vislumbra a hipótese de emprego.
Questionei a senhora se costumavam sondar as empresas sobre as necessidades de trabalhadores, ao que me respondeu que as empresas é que os procuram. (é claro que não procuram).
Descontei para a Segurança Social durante 26 anos a “bruta” percentagem que todos somos obrigados a ver retirada aos salários. Sempre soube que o sistema não funciona na proporcionalidade dos salários e descontos efectuados mas nunca pensei chegar ao ponto em que me encontro hoje. Para receber o 1º subsidio de desemprego, foram precisos 6 meses e muitos telefonemas e deslocações à Seg Social.
É verdade que utilizo com mais frequência desde 1998 (há 6 anos) o sistema de Seg Social (internamento hospitalar, cirurgias e medicamentos ). Tenho acesso a este sistema porque trabalhei e fiz descontos. Não caberia ao Governo facilitar aos seus cidadãos a Saúde Grátis? Desde 1998 que tenho uma incapacidade de (68%) que apenas me dá direito a ser reembolsada de 2€ por dia, sendo que gasto em material de ileostomia a quantia de 15€ diários.
Estou no fim do subsidio de Desemprego e sem emprego à vista, pelo que me resta viver da caridade do meu marido até atingir a idade da reforma por velhice (já morri antes).
É claro que a treta toda é que não andamos a descontar uma vida inteira para nós. Andamos a descontar para as pessoas que recebem o ordenado mínimo garantido, para os desempregados de longa duração, para as pensões das donas de casa e agricultores que não fizeram descontos, etc. E não digo que isso seja mau porque acho que faz parte da vida em sociedade. Mas acho que está errado ficar dependente de um familiar ao fim de 26 anos de trabalho e de descontos que fui obrigada a fazer !! Por muito que tenha poupado, não há poupança que dure anos e anos sem salário ou pensão.
Dos cerca de 300 colegas que ficaram no desemprego no mesmo dia que eu, nenhum foi contactado pelo Centro de Emprego para hipótese alguma. Cada um teve que se safar sozinho pois as reuniões no centro de Emprego só servem para perder uma manhã.
Por mim acho que o melhor é deixarem-nos ficar com o nosso dinheirinho e não têm que se preocupar mais connosco. Cada um que trate de si, e que utilize os seus descontos para um seguro de saúde ou um PPR .
Vou dormir que daqui a poucas horas lá vou eu uma vez mais ouvir a mesma lengalenga.
grilinha às 00:21
* * * Grilinha * * * em 30/09/2007 às 16:02

17
Abr 04
O Gabriel Meireles tem paciência de santo .... apesar de não fazer nada e ..... trabalhar nos "ex_critórios" da Telepizza em Portugal !!!

click aqui para saber como encomendar uma Pizza
grilinha às 02:35

16
Abr 04

Quando passar aqui pelo blog diga "Bom Dia" "Bom Dia, dormiu Bem ? ....... ; como vai? ...... está contente? está triste? ......... ! "Bom Dia" exprime tudo o que não é dito "Bom Dia" sem razão, não se nega a ninguém ! .............. pois quem não diz "Bom Dia" alguma coisa esconde .................. "Bom Dia" faz bem ! ........... pois as vezes, "Bom Dia" é a única palavra para um dia ................ é uma voz no silêncio e, talvez na ausência, a nossa companhia ! "Bom Dia" não custa nada ! Diga "Bom Dia" e siga............... pois tanta coisa num "Bom Dia" cabe! Nunca tinha pensado que ao dizer "Bom Dia" pode alegrar o meu Dia e até fazer poesia ! Passe aqui pelo Blog mas não se esqueça de deixar e levar o seu "BOM DIA"

grilinha às 17:09
* * * Grilinha * * * em 30/09/2007 às 16:01

14
Abr 04

grilinha às 02:34


Fernanda Grilo
(Grilinha)
16/12/1957
Lisboa-Portugal
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