30
Dez 11

Esta foi a frase com que encerrei os posts de 2010:
"Raios parta o ano de  2010 - Faço votos para que termine o mais depressa possível (nem me vou despedir dele não vá o tipo querer manter-se por cá mais algum tempo!!!)"

Infelizmente o mau ano de 2010 perseguiu-me em 2011. O des(governo), a crise e a austeridade a fazerem parte das notícias do dia-a-dia e a saúde ou "falta dela" a acompanharem-me um dia atrás do outro.

 

 

O ano de 2011 começou com o engº a engrossar a lista de dispensados e a ter muita dificuldade em encarar a situação de "dono-de-casa" ao fim de  42 anos de trabalho. Felizmente o part-time de 27 anos (só no Estado) como professor de engª mecânica serviu de escape e lá se foi aguentando até ao Verão (quem já não aguentava era eu!!! ter um homem em casa todos os dias a desarrumar a minha organização).

Fevereiro/Março foram 2 meses de crises, longo internamento e uma difícil recuperação. Perdi de vez o meu "rodinhas" mas ganhámos um latinhas novo em folha para a família.

No Mundo o terramoto e o tsunami no Japão que tocou a todos de uma forma ou de outra.

 

De Abril a Junho foi a correria às consultas de Neurologia, Dor Crónica, Exames, Análises, novos medicamentos e uma reacção negativa a automedicação e sobredosagem.

 

 

Julho chegou com calor e muito havia para fazer na 1ª semana.

O casamento da filha foi a festa mais linda e bem organizada que algum dia participei na minha vida. Ás 3 da manhã do dia seguinte ainda estava com forças para ajudar os noivos a encerrar a festa e deixá-los no Hotel para a merecida noite de núpcias.

 

O Verão foi decorrendo com uns dias cheios de nuvens intercalados com outros cheios de Sol.

 

O Outono chegou quente mas o cair das folhas não deixava dúvida de que a estação da "queda/decadência" estava à porta. Detesto o Outono e menos ainda o Inverno.

O engº voltou a trabalhar e nem o ter que se levantar de madrugada o fez pensar 2 vezes para aceitar o lugar.

 

 

Com o final do ano a aproximar-se a passos largos e com o "Passos" a limpar-nos os subsídios da carteira, chegou mais uma crise das valentes.

Afinal foram "2 crises"; A filha queixava-se há alguns meses de uma cólica abdominal que se veio a revelar ser um "menir" agarrado à vesícula.

 

No dia em que o cirurgião a libertou desse fardo, segui de urgência para outro Hospital da capital com uma crise da minha vesícula e por lá fiquei uma semana até aos feriados de Dezembro.

 

O meu aniversário passou despercebido e quase nem me apetecia lembrar que tinha passado um ano péssimo no meu calendário da vida, não fosse o engº apresentar nessa semana a tese de Mestrado. Agora em vez de engº passei a chamar-lhe "Mestre".

 

O Natal de 2011 foi dos mais complicados dos últimos 10 anos, com pequenas crises diárias toda a semana. A noite da consoada foi salva pela companhia dos compadres, filha, genro, marido e filho que tudo fizeram para que me sentisse bem.

 

Em 2011, o peso desceu novamente aos 39 Kgs, o sistema imunitário está mais debilitado, a resistência física diminuta e ainda há exames médicos de há 1 ano por terminar (a RM do crânio foi remarcada para Março/2012 - 8 meses depois de pedida).

 

 

Dei-me conta que escrevi isto tudo sem recorrer a ajudas de memória!!! "Se calhar a RM não faz falta e as minhas suspeitas de Alzheimer são coisa dos macaquinhos que tenho no sótão"

 

Amanhã termina mais um ano que gostaria de riscar da minha memória não fosse o dia 9 de Julho em que vi a minha princesa, linda e feliz desde que acordou.

 

2011 termina marcado pela crise na Zona Euro, a Primavera-Árabe, a explosão económico-financeira do Brasil, Angola e China.

2012 ficará marcado pelo ano da emigração de mão-de-obra qualificada e pelas dificuldades acrescidas, àqueles, que já pouco têm.

 

Não gosto de escrever este tipo de posts no meu blog, que sempre se pautou por relatos de dificuldades com sorriso e esperança e que agora vejo a desaparecerem do meu rosto e pensamento.

 

 

Desejo a todos um Bom Ano de 2012 com saúde e o amor daqueles que nos continuam a dar forças para lutar por um dia melhor no amanhã.

Grilinha

* * Grilinha * * às 23:32
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09
Dez 11

Desta vez o ditado cumpriu-se; "Não há uma (doente), sem duas (doentes) na mesma casa".
A filha tinha a cirurgia à vesícula marcada para 4ª feira (30/11) e eu comecei logo a preparar-me para estar lá com ela na hora de entrar para o bloco e no acordar (como faço sempre) para a mimar.
Na noite de Sábado para Domingo comecei a ficar demasiado ansiosa e as náuseas e dores abdominais estavam a afluir rapidamente.
Até 3ªf foi vomitar dia e noite e as consequências não se fizeram esperar:

 

Ás 2 horas da manhã, nem INEM, nem Bombeiros tinham ambulância e o rapaz não foi de modas; vestiu-me um roupão, pegou-me ao colo e ala escada abaixo, 4 andares até ao carro e lá seguimos até S. José.

- Internamento rápido em S. José e como a minha médica estava de banco segui pouco depois para os Capuchos, onde  situação de vómitos se manteve até 5ªf de manhã.

O resultado foi terrível e está a preocupar-me ainda: - Uma extrema desidratação deu para colocar a médica em alerta sobre os valores dos rins (creatinina elevadíssima).

 

Entretanto a cirurgia da filha correu bem. O Pai e Marido estiveram lá nas horas certas (uma vesícula extraída com um menir de 2cm) e hoje até já consegue cruzar (mal) os braços.

Já a minha recuperação continuou lenta e com as aventuras habituais:

O Hospital dos Capuchos anda em mudanças de Serviços/Enfermarias. O actual Serv. Cirurgia fica numa enfermaria "magnifica", toda em mármore-rosa nas janelas de portada e painéis de azulejos dos meados do Sec XVI (+/-1579).

Assim que me foi possivel levantar com o bobi atrás (suporte de soros), fui ao banho e dar uma espreitadela pelas paredes/paineis.

 

 

A enfermaria feminina tem cerca de 30 camas e quando a sopa lá chegava à minha cama, ao fundo,  já ia gelada LOL

As confusões com a minha alimentação (depois de chá, chá e chá 2 dias) resolveram-se por a minha médica estar novamente de banco no Domingo (4/12) que decididiu escrever: -  "A doente explica o que pode beber e comer" ....... tudo se resolveu e as sopinhas e purés de fruta estavam perfeitos.

Ok, cá em casa o marido sempre disse que eu servia para ir à tropa, mas que querem??!! Gosto da comida do hospital (estava há 8 dias sem comer nada sólido!!!!)

Mas ...... aquele Domingo (4/12) não foi nada calmo pois a enfª Chefe decidiu fazer uns ajustes e lá andaram as doentes com as almofadas, cobertores e sacos pela mão até outra zona da enfermaria (todas bem dispostas e com as enfªs e auxiliares a colaborarem fez-se a mudança em pouco mais de 1 hora). 

Nota: "Havia muitos doentes em macas em S. José a precisar de ser transferidos e assim conseguiu-se espaço para mais camas, pois é horrivel estar no Hospital numa maca a aguardar cama numa enfermaria".

Não vos vou fazer arrepiar com o estado em que ficaram os meus braços de tantas "picadelas" mas basta dizer que o sangue para análise era tirado pelos médicos na "femoral" (nada de especial para veteranos) eheheh

 

O regresso a casa fez-se 8 dias depois porque a cama era precisa para casos mais urgentes.

Agora é continuar os cuidados alimentares (3 Litros de liquidos diários) e manter a hemoglobina equilibrada.

 

Hoje tive a visita da filha e foi tão bom abraçá-la e tê-la pertinho de mim, mesmo sem uma peça de origem (tadita).

Eu bem andava a avisar cá em casa que estava na hora de ir passar uns dias aos Capuchos ou ao Egas (passo lá sempre o aniversário ou o Natal!!!).
Obrigada a quem me procurou no email, no facebook ou telemovel mas naquela enfermaria não chega rede suficiente (paredes muiiiito grossas)
Venha 2012 e as melhoras para as mulheres cá de casa :)

Grilinha

* * Grilinha * * às 01:16
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25
Nov 11

 

Foi ontem (24 de Novembro) que este blog festejou o seu 8º aniversário.

Não está abandonado mas sim menos activo.

8 anos de memórias.

8 anos de velhas e novas amizades.

8 anos de recordações (boas, menos boa,)

8 anos de vida

Obrigada à equipa dos Blogs do Sapo que por certo fazem um enorme esforço para manter vivas estas recordações.

 

Grilinha

* * Grilinha * * às 19:48

14
Out 11

 

 

 

Sou uma pessoa optimista por natureza .... sou Sagitário!!

 

A nível profissional e sentimental sempre fui bafejada pela sorte (esforcei-me por aprender e ser boa trabalhadora e escolhi bem a "minha paixão"). A nível financeiro aprendi com os meus pais que "no poupar é que está o ganho" e foi isso que fiz toda a minha vida de trabalhador/contribuinte. Usufruí com conta, peso e medida as facilidades ao meu alcance mas .... há um mas .... a saúde traiu-me sem pré-aviso.

 

Há 13 anos que me debato 24 horas sobre 24 horas com uma doença incapacitante, mas continuo a pensar que amanhã virá um dia melhor que o de hoje, mas .... cá está outro mas ..... começo a desacreditar no "dia melhor para o amanhã".

 

O Sub de Natal e de Férias da reforma vai voar para a maioria dos reformados (reforma conseguida à custa dos descontos e do trabalho ao longo da vida).

Os mafiosos do meu bairro continuam a receber fundo de desemprego elevado e rendimento de inserção social, dormem todo o dia, fazem festas todas as noites, têm casa própria e carro e a esses ninguém lhes cobra impostos nem fazem descontos de subsidio algum.

Ahhhh .... se gasto 50% da reforma em farmácia e laboratórios com produtos para sobreviver à doença crónica que são de venda livre e sem qualquer desconto, isso não interessa para nada, porque a culpa é minha e não do Estado, por ter arranjado uma doença dispendiosa.

 

Não é preciso ser Gestor ou Economista para perceber que o colapso do sistema financeiro na zona Euro está eminente e sob o efeito dominó (só pára quando a última pedra (Euro) cair).

A situação Grega está a preocupar quem detém dívida pública deste e doutros Países que estão na eminência de incumprimento. Quando um País entra em incumprimento o cidadão vai por arrasto.

Quero acreditar que chegarão dias novamente felizes para a nova geração de trabalhadores Portugueses mas cabe a nós, cidadãos, exigir que quem viola a lei seja responsabilizado e punido.

Continuamos a cair nos mesmos erros e isso mesmo está evidente nas eleições de Domingo passado na Madeira (em vez de punido, foi reeleito).

 

Amanhã o Sol continuará a trazer calor e luz mas as circunstâncias, pessoas e coisas estarão diferentes.

Hoje é hora de agir, semear e investir afectos em favor daqueles que nos rodeiam.

Hoje é o dia de seguir no tempo sem fim.

 

Isto tudo para chegar à conclusão de que o rating do meu optimismo está no nível "D" ou será da dépré??!!!

* * Grilinha * * às 13:35
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05
Mai 11

 

 

Já não basta a carrada de químicos diários (sulfamidas + salicilatos + imunossupressores + glicocorticosteroide + ácido ursodesoxicólico + ferro + cobalamina) decidi juntar um analgésico (Zaldiar).

 

O Zaldiar é um cocktail de paracetamol + tramadol (opiáceo) que age de maneira semelhante à morfina.

Como a morfina, o tramadol liga-se aos receptores no cérebro (receptores opióides) que transmitem a sensação de dor por todo o corpo para o cérebro e é usado no tratamento da dor moderada a grave mas tem os seus riscos (muitos).

 

Depois de uma semana aliviada da dor vieram 4 dias de cama (náuseas, mal estar geral e dor intensa dos pés á cabeça).

Toma lá que é para não te meteres no “ópio”!!

...............   Ainda de ressaca :/  .................

 

PS: O rapaz lá apanhou mais um susto numa madrugada em que "fui ali e voltei" num piscar de olhos (não dei por nada)

* * Grilinha * * às 21:26
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06
Abr 11

 

O dia começou solarengo e radioso mas rapidamente foi atravessado por um tsunami..
A tão esperada e ansiada "consulta da dor" estava "marcada" para hoje.
Já tinha sido alertada de que havia ordem do SNS para não autorização de inscrições de 1º vez a doentes fora da área de residência do Hospital, ou seja;
- Só é possível consultas de 1ª vez no Hospital da área de residência.

Então e os doentes que são seguidos nesses Hospitais noutras consultas e com processos e médicos há vários anos, quando são reencaminhados para outras consultas, o que fazem?
- Isso não interessa para nada e ainda corre o risco de ser recambiado com os processos às costas para o Hospital da sua área e conhecer novos médicos e novos serviços e rezar (se souber) para que chegue vivo às novas consultas.
- Tudo corria bem até a simpática menina do guichet me informar que não podia mesmo fazer a inscrição (o sistema informático não o permite - simplex) e por isso tinha que ir ao Hospital da minha área.
Cá estou de volta com a dor às costas e a pensar como é possível viver numa Europa de livre circulação de pessoas e no meu País os entraves estão a ser cada vez maiores.
Compreendia esta norma se não tivesse qualquer processo naquele Hospital ou já não o frequentasse há mais de 1 ano, mas eu até sou cliente semanal!!

Respirar fundo, não pensar muito na dor e partir para nova etapa por outra estrada.
O chip do Cartão de Cidadão vai passar a dar "estímulos eléctricos" a quem tentar aceder a Hospitais ou Serviços fora da área de residência!! :/
O 1º impacto deste serviço foi nas passadas eleições Presidenciais onde ficaram por votar milhares de eleitores.

Meus SENHORES (legisladores e afins) estamos na era das tecnologias onde a passagem de informação e de processos clínicos se faz com meia-dúzia de cliques. As redes informáticas são uma realidade e nós continuamos a complicar o que poderia ser tão simples e que custaria muito menos dinheiro e tempo ao Estado e ao Cidadão.
Haja saúde e cara alegre para enfrentar novas batalhas.

 

Resta-me agradecer o empenho das médicas e técnicas administrativas mas que nada podem fazer contra esta nova norma de funcionamento.

* * Grilinha * * às 13:11
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18
Mar 11

Ontem à noite enquanto o rapaz montava a minha cadeira nova de secretária (ofereceu-me uma cadeira nova para que tenha mais conforto), o tema da nossa conversa foi o do texto que se segue;

 

Falámos da minha geração de pais que usou e abusou do dinheiro e facilidades para que os filhos não passassem dificuldades como as deles (os meus filhos conhecem a realidade da infância e juventude do Pai) mas acabaram por lhes esconder as agrúras da vida.

 

Fico feliz pelos meus filhos terem sido educados com conforto e sem dificuldades mas sempre com limites e conhecedores de que nada se consegue sem esforço/trabalho.

 

Texto recebido por email e que já vi publicado em vários blogs - (desconheço o autor que por certo é da minha geração ou andou comigo na escola)

 

 

Um dia, isto tinha de acontecer.

Existe uma geração à rasca?

Existe mais do que uma! Certamente!

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.

Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.

A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.

Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

 

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.

Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

 

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

 

Foi então que os pais ficaram à rasca.

Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.

Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.

São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

 

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

 

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

 

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.

Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.

Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.

Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.

Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

 

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?

Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!

 

Os jovens que detêm estas capacidades-caracteristicas, não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

 

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

 

Novos e velhos, todos estamos à rasca.

Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.

Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.

A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.

Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.

Pode ser que nada/ninguém seja assim.

* * Grilinha * * às 11:24
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28
Dez 10

O ano de 2010 está a chegar ao fim. Gostava de escrever aqui coisas agradáveis sobre o ano que agora finda e palavras de esperança para o Ano Novo que está à porta mas infelizmente 2010 é para esquecer e para 2011 ...... !!!???

 

No Mundo,  2010 foi a revelação do desastre Político e Económico da Gestão Capitalista que facilitou a rápida ruína (bancarrota) das Economias Mundiais.

Por cá (Portugal) o des-Governo foi tal que agora são os reformados, funcionários públicos e criancinhas que vão pagar a crise com menos reformas, menos benefícios fiscais, redução de salários e de abono de família.

 

Pessoalmente foi um ano desastroso com o avançar galopante da incapacidade motora e imunitária.

Deixar de conduzir foi a gota de água para o isolamento.

Janeiro até que parecia começar bem com a realização do 1º encontro dos des/combinados (Grila, Nanda, Analycia, Ca por Coisas, Pedro Lourenço e Luis Branco) ... ao longo do ano já não foi possivel marcar novo des/combinado.

Fevereiro a Julho - foi um salto rápido para o precipício com alguns internamentos pelo meio.

Agosto - Uma semana de férias com a família, presa por analgésicos e antibiótico.

Setembro a Dezembro - Dois passos para a frente e 3 para trás, dia após dia.

 

Normalmente no início de Dezembro costumo ter os presentes de Natal adquiridos para a família cá de casa, sobrinhos e amigos especiais.

Este ano as deslocações 2 vezes por semana ao Egas Moniz encheram os cofres da Autocoop (Táxis) e esvaziaram-me a carteira e a paciência.

Não foi fácil sair de casa na Noite de Natal de "mãos a abanar" para casa da filha e "genro" (faltam 6 meses para perder as aspas) e limitar-me a aquecer a minha sopa e estar sentada o mais confortavelmente possível a conversar até à hora de regressar a casa.

A semana do Natal manteve-se ao ritmo de "dia sim - dia não" em deslocações ao Egas Moniz para transfusão de sangue já que o ferro não estava a ser suficiente. Esta semana vamos pelo mesmo caminho caso o ferro de ontem não seja suficiente.

 

Raios parta o ano de  2010 - Faço votos para que termine o mais depressa possível (nem me vou despedir dele não vá o tipo querer manter-se por cá mais algum tempo!!!)

Adeus Ano Velho - lacrado, selado, envelopado, despachado sem remetente à própria sorte.

Venha lá 2011 que a sentença já está lida para Janeiro (internamento e estudo ao interior)

A todos desejo um Feliz Ano Novo e que concretizem os objectivos a que se propuserem.

Fernanda Grilo (Grilinha)

* * Grilinha * * às 14:57
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Fernanda Grilo
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